Fevereiro de 2006 - Número 62

Editorial

Nós, camaleões da ciência brasileira, temos que nos virar em dez desempenhar uma dúzia de funções e por incrível que pareça, ainda conseguimos fazer ciência.

Nós, camaleões da ciência no Brasil, ensinamos, administramos, gerenciamos, fazemos política científica e ainda, às vezes, fazemos ciência
Às vezes, até de boa qualidade...

Nós, um dia professores, outro dia coordenadores de programas, outro dia administradores, outro bioteristas e outros ainda produtores,

Em alguns dias, ou momentos, conseguimos fazer ciência!
Degenerados nas nossas funções, inespecíficos nas metamorfoses diárias, muitas vezes assumimos múltiplas formas em menos de 24h

Plásticos na nossa habilidade ou inabilidade, mas obrigatoriedade metamorfótica
Temos que responder a diferentes estímulos, mas temos um só molde!
A paixão pela ciência, pela natureza e pela beleza dos processos biológicos
!


Adriana Bonomo



Obs: qualquer semelhança com o reconhecimento de antígenos pela célula T descrito no paper comentado nesta edição é não intencional e mera coincidência!


História falada...

Esse mês a história vai ser boa! Explicando: o SBInarede entrevistou uma pioneira da imunologia nacional, a Profª Thereza Liberman Kipnis, profª Titular da UENF, onde chefia o Laboratório de Biologia do Reconhecer. Ela compartilhou com o SBInaRede as histórias e lembranças do início da imunologia no Brasil, incluindo a convivência com o lendário prof. Otto Bier, os cursos de imunologia da OPAS/OMS e a fundação do departamento de Imunologia da Universidade de São Paulo.

Thereza fala com a segurança de quem viu e participou ativamente disso tudo. Falamos também de Ciência
(é claro!) e dos desafios da mudança de São Paulo para Campos, onde foi peça-chave na implantação da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
(Clique para ler a entrevista completa com a Profª Thereza Kipnis)


Pesquisa e arte!

bookNós, pesquisadores da área básica, sempre que pensamos em pesquisa nos ocorre de imediato a imagem de uma pipeta, uma bancada e alguém descabelado, provavelmente de óculos e jaleco, enlouquecido com um experimento que deu ou não certo. Raramente pensamos em pesquisa como um instrumento da arte! Ou da educação! Em música, se alguém menciona pesquisa, costumamos (pelo menos eu) pensar em pesquisa de sons, diferentes sonoridades, novos instrumentos. No entanto, nos últimos 7 anos tenho conhecido pesquisa na área da musica brasileira. Neste número do SBInarede vamos trazer um pouquinho do que o pesquisador Sergio Prata (diretor do Instituto Jacob do Bandolim) tem encontrado em seus estudos de Jacob do Bandolim e a publicação “Tocando com Jacob” lançado em dezembro de 2005. Só para dar um gostinho, vocês poderão ouvir trechos de músicas, com e sem o bandolim. Um achado inédito que mostra a complexidade da nossa música através do perfeccionismo e excelência de Jacob, e se tornou um instrumento educacional único no meio musical.

(Clique aqui para ler a entrevista com Sérgio Prata
e ouvir trechos das músicas)



Troca de figurinhas

Inauguramos uma nova seção para estreitarmos ainda mais os laços desse imenso Brasil Imunológico!


A TROCA DE FIGURINHAS será subdividida em DICAS e DÚVIDAS e serão bem vindos todos os pulos do gato de um protocolo dificílimo, recomendações de produtos e fabricantes, dicas de economia de reagentes, uso de aparelhos, assim como dúvidas e qualquer pedido de ajuda para sanar qualquer dificuldade em padronizar aquele protocolo tão difícil! Contamos com a sua participação!!!!!

 

Clique aqui para enviar dicas e dúvidas


Aconteceu... Comentário

Aconteceu em Vancouver, de 1º a 6 de fevereiro, um
Keystone Symposia sobre Células T regulatórias. Foram uma noite e quatro dias intensos, onde o grande astro era a Treg Foxp3+! Até tentaram fazer uma seção de células regulatórias não convencionais, como NKT (A. Bendelac), Tr1 (C. Maynard) e gama-delta (A. Hayday)! Mas sem grandes novidades.

O encontro foi organizado por Ethan Shevach, Fiona Powrie e Alexander Rudensky e contou com a presença de ícones como Harald Von Boehmer e Herman Waldmann.

(Clique para ler o comentário)

TCR - O camaleão das especificidades


Alorreatividade é um dos grandes mistérios da imunologia. Mistério porque se pensarmos em seleção positiva, em que o repertório de linfócitos T de um indivíduo é majoritariamente restrito ao MHC-próprio, a resposta a MHC não-próprio não faz nenhum sentido! O grupo de Paul Allen, da Washington University esclarece pelo menos parte deste mistério num artigo que acredito já ser um clássico antes mesmo de estar nos meios impressos (Nature Immunology, advance online publication, doi:10.1038/ni1446). Este trabalho tem conseqüências importantes para a nossa compreensão não apenas da resposta alorreativa, mas do reconhecimento de antígeno e da especificidade da resposta de células T para qualquer antígeno!
(Clique para ler o texto completo)


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